Saturno não é mais o mesmo

Cada um entende a verdade como quer, pois cada um deve enxergá-la e então experimentá-la no próprio coração para que faça algum sentido. E disso decorre um sem-fim de interpretações e impressões, tornando-se tarefa quase impossível dizer que “tal e tais coisas” são ou não verdade para “a, b e c pessoas”.

É época de Natal e muitas pessoas experimentam nessa época, ainda que banhado em hipocrisia e senso-comum bovino, sentimentos de espírito natalino, de amor ao próximo, de celebração do nascimento de Jesus, o Messias, de reencontros, de tristeza, de fazer barulho, enfim. Para essas pessoas é disso que é feito o Natal e pronto; é essa a experiência do coração. Nada mais fará sentido.

Fim de ano gosto de ficar quieto e pensar. Preferencialmente até o início do novo ano.

A celebração do solstício mais conhecida por nós é a dos antigos romanos. Eles acreditavam que seu deus da agricultura, Saturno, tinha governado a terra durante uma época passada de ricas plantações e fartura de comida. A semana do solstício de inverno, pois, com suas promessas de retorno ao verão e dos tempos auspiciosos da agricultura saturnina, era celebrada com as saturnais, de 17 a 24 de dezembro. Era época de ininterruptas festas e alegrias. As lojas fechavam, de modo que nada pudesse interferir na celebração, e distribuíam-se presentes. Essa era uma época de fraternidade, onde servos e escravos eram temporariamente libertados e recebiam permissão para juntar-se a seus amos para a celebração.

As saturnais não desapareceram. Mesmo depois de ter fortalecido seu poder no Império Romano, o cristianismo descobriu serem vãs suas tentativas de derrubar a alegria pagã pelo nascimento do Sol. Então, pouco após 300 d.C., o cristianismo absorveu a celebração declarando arbitrariamente 25 de dezembro como a data de nascimento de Jesus (data que absolutamente não é apresentada em qualquer passagem bíblica). A celebração do nascimento do Sol foi, pois, convertida em celebração do nascimento do Filho.

Extraí esse trecho da obra “Escolha a Catástrofe”, autoria de Isaac Asimov. Cada um que ler este trecho vai prosseguir confrontando-o com a verdade que tem dentro de si. Os resultados serão os mais variados. Isto que foi posto é um dado histórico, mas isso não é motivo suficiente para mudar verdades individuais. Nem é esse meu propósito e nem o do falecido Isaac Asimov.

O que será que pensam os muçulmanos, judeus, ou budistas por exemplo? Eles celebram o Natal? Eles celebram o nascimento de Jesus, o Messias? Jesus é o Messias deles? Quem foi Jesus para eles?

E pra mim? O que é Natal pra mim?

Bem, a primeira operação que faço é somar Natal + Ano Novo, simplificando a semana de saída do ano e entrada de outro no calendário cristão apesar de eu não ser cristão. Daí, igualo isso a comida na mesa + horas de conversa animada + boa música subtraindo a preocupação de quem vai lavar a louça.

E quando consigo ficar sozinho no meu canto, gosto de ficar quieto e pensar, contemplar e meditar.

Feliz Saturninas a todos!

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